História

Bybelchiordesigner
Formação antiga Banda Santa Cecilia

Foto: Arquivo CMSC

Em Itapecerica, desde a última década do século XIX, havia uma grande disputa política entre duas personalidades que exerciam enorme influência na política local: Dr. Antônio Afonso Lamounier Godofredo e Dr. Leopoldo Corrêa, ambos ligados ao Partido Republicano Mineiro (PRM). Com a disputa entre esses dois políticos surgiram dois grupos: um com tendência liberal, apelidado de “Papiata”, ligado a Lamounier Godofredo, e outro mais conservador, apelidado de “Tareco”, ligado a Leopoldo Corrêa. Essa divisão durou até fins da década de 1950. Em 1908, o Cel. Leopoldo Corrêa, líder do grupo Tareco, com Josefino Corrêa e Luiz Teixeira, propôs um acordo para a fundação de uma banda de música da qual fariam parte apenas músicos partidários de seu grupo. Logo, os músicos Tarecos das duas bandas existentes, Carrara e Catimbáu – em sua maioria da Carrara – formariam uma banda, com a denominação de “Lyra Santa Cecília”.

O primeiro maestro da banda, José Pires, regeu a corporação de 1908 até 1945. Nesse período inicial, além de retretas, festas e solenidades diversas, a Corporação Musical Santa Cecília se apresentava com frequência em eventos religiosos, já que em todas as cidades mineiras tradicionais tais festas tinham grande importância na comunidade. A corporação possuía coro e orquestra para a execução de missas cantadas, novenários, Setenário das Dores e Semana Santa. Dentre as festas religiosas, das quais a Corporação Musical Santa Cecília era responsável todos os anos, destacam-se os solenes Novenários de Nossa Senhora das Mercês, as Novenas de São Sebastião, as Novenas de Nossa Senhora da Boa Morte e a Festa do Divino – sendo esta apenas quando o Imperador pertencia ao grupo político Tareco. A festa religiosa principal, realizada anualmente, era a de São Bento, com novena solene, missa cantada, Te Deum e procissão.

Anos mais tarde, no termo de abertura do Livro de Atas, feito em 19 de novembro de 1954 por Arthur de Araújo, a banda começou a ser reconhecida com a atual denominação de “Corporação Musical Santa Cecília”. A banda enfrentou momentos de instabilidade e declínio nas décadas seguintes e, no fim dos anos 90, voltou a ganhar força. Ao assumir a escola de música da corporação, o regente Gilson Pereira Silva passou a adotar o modelo de ensino básico de música, usado em conservatórios e cursos básicos como os da UFMG, UEMG e CEFAR/Palácio das Artes. A flauta doce como instrumento musicalizador, a percepção musical com ênfase não só no ritmo, mas também no solfejo, e aulas de instrumento com professores especialistas foram as primeiras mudanças na didática musical, o que trouxe à banda uma melhor sonoridade e afinação dos instrumentistas da corporação. Em 2009, esse modelo de ensino musical foi consolidado através da criação do Centro de Formação Musical de Itapecerica, uma escola de música completa, idealizada pelo maestro Gilson e pela presidente Maria Augusta Resende Melo.

A partir dessa nova metodologia de ensino, a Corporação Musical Santa Cecília alcançou gradativamente um nível musical e artístico que a diferenciou de outras bandas de música do estado. Foi incluído o naipe de flautas e o grupo passou a ter uma sonoridade mais “leve” e menos “agressiva”, sem perder sua força sonora. A evolução de sua concepção musical e repertório, que cada vez mais a aproximava do modelo de uma banda sinfônica, além do surgimento de mais talentos originários da corporação – e que foram aprovados em cursos de extensão e graduação em música de universidades como UFSJ, UFMG e UEMG – logo chamaram a atenção da comunidade acadêmica destas universidades e de outros centros musicais.

O reconhecimento veio em 2003, através de uma premiação de importância em todo estado de Minas Gerais: o “Troféu Pró-Música: Melhor Banda de Música de Minas Gerais – 2002”. A comunidade itapecericana também reconheceu o trabalho da corporação, agraciando-a nos anos de 2006, 2008 e 2009 com o “TOP – Destaque pela Câmara de Dirigentes Lojistas Itapecerica”, e nos anos 2009 e 2010 com o “Prêmio Gente Expressão: Os Melhores do Ano”, pela consagração pública de Itapecerica. Hoje, esse trabalho vem ganhando continuidade com o maestro Ramon Felipe Costa.

Texto: Márcio Corrêa / Adaptação: Alexandre Reis